Crítica de “Michael”: o Filme que Não Tem Coragem de Ir Até o Fim
O filme “Michael” é uma biografia que busca reconstituir a trajetória de vida de Michael Jackson, mas infelizmente não consegue ir até o fim em sua proposta. Com uma ambição inicial de oferecer uma versão definitiva da vida do artista, o diretor Antoine Fuqua acaba por criar uma narrativa que se limita a recriar a imagem do Michael performer, sem confrontar as complexidades e contradições da vida do cantor. O filme apresenta um valor de produção alto, rigor na recriação e um esforço quase obsessivo em devolver ao público a imagem do Michael que todos conhecem, mas acaba por evitar as questões mais delicadas e controversas da vida do artista.
Ambição e Limite
O filme começa com uma ambição clara de reconstituir a trajetória de vida de Michael Jackson, desde sua infância até seu sucesso como artista. No entanto, ao longo da narrativa, torna-se claro que o filme não tem coragem de ir até o fim em sua proposta. A escolha de permanecer no território da recriação como espetáculo acaba por evitar a confrontação com as complexidades e contradições da vida do cantor. O que poderia ser tensão e conflito se transforma em contenção e omissão de pessoas, episódios e contextos decisivos.
Construção da Narrativa
A narrativa do filme é construída de forma a dar conta do tempo, utilizando um formato de clipe para apresentar a ascensão de Michael e de seus irmãos desde os anos de pobreza em Gary, Indiana. No entanto, essa abordagem acaba por exigir do espectador um conhecimento prévio da biografia de Michael Jackson, o que pode ser um obstáculo para aqueles que não estão familiarizados com a vida do artista. Além disso, a narrativa apresenta simplificações evidentes e omissões de pessoas e episódios importantes, o que acaba por limitar a profundidade e a complexidade da história.
Imagem e Controle
O filme apresenta um controle constante sobre a narrativa, como se qualquer fissura mais profunda colocasse em risco não apenas a estrutura da história, mas também a imagem que sustenta o projeto. Isso se reflete na forma como o filme aborda as questões mais delicadas e controversas da vida de Michael Jackson, sempre buscando manter a imagem do artista intacta. No entanto, essa abordagem acaba por limitar a profundidade e a complexidade da história, tornando-a mais uma hagiografia do que uma biografia crítica. O uso de imagens e som é cuidadoso e bem realizado, mas não é suficiente para compensar a falta de profundidade na narrativa.
Em resumo, o filme “Michael” é uma biografia que não consegue ir até o fim em sua proposta, limitando-se a recriar a imagem do Michael performer sem confrontar as complexidades e contradições da vida do cantor. A narrativa é construída de forma a dar conta do tempo, mas acaba por exigir do espectador um conhecimento prévio da biografia de Michael Jackson. A imagem e o controle são mantidos de forma constante, limitando a profundidade e a complexidade da história. O uso de imagens e som é cuidadoso, mas não é suficiente para compensar a falta de profundidade na narrativa. O filme pode ser uma boa opção para aqueles que desejam ver uma recriação da vida de Michael Jackson, mas não para aqueles que buscam uma biografia crítica e profunda.








